sexta-feira, 6 de maio de 2016

Os mais fracos serão os mais fortes

Na minha geração era corrente ouvir histórias de alguém que tinha sido sovado pelos pais, por ter feito algo em que se punha em risco, ou por se ter posto em risco e se ter magoado. Já na altura não entendia como podiam os pais bater a um filho que já estava dorido. Depois da maternidade ainda compreendo menos; correr para abraçar e confortar os meus filhos depois do susto, ou da dor, foi sempre a minha primeira reacção. E se no processo algo se partia ou estragava a minha primeira preocupação era, e é, saber o estado em que os meus filhos se encontram. As coisas valem o que valem, são coisas, substituem-se. 

Pensava eu que os pais dos anos 70 e 80, que tinham esta reacção ilógica de bater nos filhos, depois do susto, tinham evoluído e desaparecido de cena( embora nunca das nossas memórias!). Porem, não; actualmente há ainda pais que o continuam a fazer. 
Terão sido, também, eles próprios vitimas deste comportamento contraditório? Não sei, e francamente estou a ficar um pouco cansada de compreender comportamentos incorrectos sustentando-os em atitudes traumáticas; temos que nos responsabilizar, cada um de nós, pelas nossas acções e deixar de nos desculparmos com os erros dos outros. Portanto, não me interessa mesmo o que está para trás.

Será assim tão difícil de entender que um filho magoado, necessitando de colo e consolo, não merece apanhar? Que isso, vindo de quem o deveria proteger e confortar, é alta traição? Que isso é que o vai marcar para sempre, não a brincadeira inconsequente, mas a tareia dos pais? 
Será assim tão difícil de descobrir que isso destrói o afecto? 

Ouvir uma criança dizer que não gosta do pai, ou da mãe, é algo que me revolve as entranhas. Mexe comigo mesmo não sendo da minha conta. 
Como seria bom que estes pais acordassem... Se os pensamentos e as palavras não lhes servem como despertador, oxalá os estudos o conseguissem fazer. Estudos como este

Bater num filho apenas ensina uma coisa: a arbitrariedade da lei do mais forte. E um dia, os pequenos serão os mais fortes. Para quem ainda se pergunta porque tantos idosos são maltratados, aqui está uma dica. 
Dizia-me há dias, uma senhora octogenária, que não há maior tristeza na vida do que a velhice e a solidão. Compreendo-a, verdadeiramente, mas parece-me que acima disso está ainda a falta de amor.    

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Negação

Niko na casinha das bonecas. Novamente.

Ou é efeito "Alice no País das Maravilhas" ou síndrome de Peter Pan mas parece-me mesmo, é que cá em casa, nem os gatos gostam da ideia de crescer...

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Relativo

Não há como a doença para inquietar o coração de mãe. Ver o filho prostrado pela febre, apático e sem apetite, transforma-me no oposto, agitada e em estado de alerta. E para mais a duplicar, coisa que nunca antes tinha acontecido- em 15 anos de maternidade- acontecendo este Inverno ( Primavera só no calendário), pela segunda vez. 
Nada de grave, apenas viroses. E penso nas mães do passado, que perderam filhos devido a doenças actualmente corriqueiras, tratadas com medicação de Parafarmácia. E penso nas mães de hoje, com filhos afectados por doenças realmente graves. 
São estados mentais, quota de preocupação, grau de dor, a um nível que a imaginação não alcança. 
 

terça-feira, 19 de abril de 2016

A mãe portuguesa

"Não sei se é característica de quem é portuguesa, mas eu sou ... GALINHA! E com muito gosto. Sou cuidadosa, stressada, exigente, chego a ser um bocado intransigente. Gosto de regras, de horas, de ter tudo sentado à mesa a jantar em família, de os chamar e que eles me respondam à primeira, gosto que digam "bom dia" a quem chega, que cumprimentem com um beijinho, que agradeçam e digam "se faz favor", que façam uma grande festa quando vêem os avós, e os tios, e que, ainda assim, sejam o mais descontraídos possível! Não vou em conversas do que não se deve obrigar as criancinhas... eu obrigo e exijo. 
Tenho mania de os vestir de igual ( isto é muito "tuga"). 
As características de uma mãe portuguesa? Passamos aos nossos filhos aquilo que nos passaram a nós, cultura, educação, e temos sangue na guelra, caramba! Eu sou um bocado "vai tudo à frente", e às vezes não consigo manter a calma. E eles já sabem que quando a mãe se passa, de de vez em quando salta um tabefe!
Mas nada disso impede que tenha uma relação muito próxima com eles, dou beijos apertados e abraços esborrachados, brinco e digo parvoeiras, toco viola e canto com eles, dou-lhes conselhos, estudo com eles ( ok, esta parte chateia-me um bocadinho, esta obrigação de, irrita-me! Alguma vez os nosso pais?... enfim), vou com eles às compras de roupa, deixo-os opinar q.b. . Só espero que os meus filhos cresçam felizes, que saibam escolher o melhor caminho para eles ( com as minhas indicações, luzes, e apoio), que ganhem asas quando tiver que ser... e voem... ( para perto!)."
Ana Rocha Leite, 3 filhos entre os 4 e 9 anos, in revista Activa, Maio 2015 

Tenho duvidas quanto à representatividade desta mãe; começa logo pelo número de filhos, o dobro da média nacional. Também não tenho ideia que a mãe portuguesa seja tão exigente; relativamente à educação seria bom que assim fosse, mas acho que o comum é serem mais permissivas. Vestir os filhos de igual, a não ser em gémeos ( o que já acho irritante), é outra coisa que não vejo vulgarmente.

Embora na essência eu me assuma como mãe-galinha, também acredito em concessões, e cedo quando convencida; por vezes os argumentos dos filhos são mais fortes do que a educação que recebemos dos nossos pais ou do que aquilo que aparentemente é lógico. O mundo não é o mesmo, e as crianças da actualidade são mais espertas ( a própria ciência o confirma). Não acredito na imposição pela força, que apenas ensina a lei do mais forte. Mas sim, também anseio que eles cresçam felizes, e não voem para longe. De resto, haverá alguma mãe, seja de que nacionalidade for, que não deseje o mesmo?     

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O absurdo

Depois de ler aqui e ali, insinuações que já  prenunciavam aquilo que viria a ser exigido, e depois de constatar a galopante imposição do politicamente correcto, não poderei dizer que isto seja surpresa. 
O próximo passo será, certamente, proibir as cores azul e rosa.

Sob a capa do respeito, pretendem retirar-nos a humanidade que os pronomes pessoais nos atribuem, transformando-nos em coisas. Deixamos de ser ele e ela, e passamos a ser "isto". Em não parecendo, e pretendendo o contrário, é o que os defensores do politicamente correcto desejam - desumanizar-nos.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Filmes que valem a pena ver nos telecines

Vi estes filmes recentemente, e valem mesmo a pena. Podem ter passado mas voltarão daqui a algum tempo, portanto, fica a dica.

O Monte dos Vendavais
Este drama é um clássico, daqueles que o meu pai me incentivava a ver na televisão; dos tempos em que Hollywood conjugava literatura e cinema de qualidade. Por isso, continua a ser um filme de referência.
A história de amor entre Cathy e Heathcliff remonta à infância, e apesar de extraordinariamente intensa não está fadada a um final feliz. Não neste mundo. Emocionante e triste, terrivelmente triste. 

Sono de inverno
Um homem e duas mulheres passam o Inverno num pequeno hotel, negócio de família, em Anatólia. A ausência de hóspedes proporciona uma espécie de hibernação, provocando encontros e confrontos, mas sobretudo encontros mais dolorosos e verdadeiros, com o "eu". 

Cake: um sopro de vida
Este drama, com Jennifer Aniston, retrata a vida de uma mulher que sofre com dores fortíssimas causadas por um acidente, e que ela tenta desesperadamente mitigar recorrendo a analgésicos, álcool, e droga. Porém, a dor física é apenas a ponta do iceberg do seu sofrimento, uma forma de esconder outro tipo de dor.  

A Rosa Púrpura do Cairo 
Esta comédia de Woody Allen conta a história, passada nos anos 30, de Cecília, uma empregada de mesa viciada em cinema. Os filmes são uma forma de evasão à sua realidade dura e infeliz. Um dia a personagem principal salta da tela, e tenta seduzir Cecília, levando-a a sonhar com possibilidades até aí impossíveis.
Discordo da categoria atribuída ao filme, mais depressa seria drama, contudo, é um filme que nos faz pensar em como o cinema é importante na vida das pessoas. E também enganador. 

Dois Mundos em Guerra
Passa-se na nova Zelândia, quando ingleses e maoris lutavam pelo domínio do território. Uma inglesa apaixona-se por um maori e têm um filho, que é raptado pela família paterna. Porém, a mãe nunca deixará de procurar o filho, acabando por abraçar a cultura deste, numa prova de amor que afronta a sua própria cultura. 

Effie Gray
A história verídica de uma jovem e inocente rapariga, que casada com um crítico conhecido e promissor, se sente totalmente frustrada e infeliz, devido a circunstâncias que lhe são alheias. Envolve-se com um artista, originando um grande escândalo na época. Esse homem é o pintor pré-rafaelita John Everett Millais